Macarrão já foi privilégio da elite brasileira

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O macarrão, pelo que consta, surgiu na China e chegou à Itália seguindo a Rota da Seda — caminhos usados para o comércio de seda entre o Oriente e a Europa. Isso por volta do oitavo milênio a.C. Os italianos inventaram novas e diversas formas para a massa e a difundiram pelo resto do mundo.

No Brasil, inclusive. Aqui, o alimento chegou no início do século 18, trazido pelos carbonários, italianos integrantes de um movimento revolucionário secreto que defendiam a unificação italiana.

Para escapar de seus principais inimigos, a Igreja e a aristocracia de seu país, refugiaram-se no Brasil e trouxeram o macarrão na bagagem. Alguns deles se estabeleceram como comerciantes no centro do Rio de Janeiro, vendendo sorvetes e massas caseiras.

A partir daí, a história tem lances curiosos. Por exemplo: aqui o macarrão começou como coisa de poucos privilegiados. Era consumido pela elite carioca como ingrediente para sopa, lá pela década de 1850, segundo Câmara Cascudo em seu livro “História da Alimentação no Brasil”.

Nas décadas seguintes, aumentou o número de italianos no país. Até 1890, foram 974 mil, e até 1920 essa comunidade cresceria ainda mais, incentivando a cultura do trigo e barateando a matéria-prima. Pronto, o macarrão se popularizou e chegou a todas as partes do nosso país.

Mas havia um problema: os brasileiros não sabiam muito bem o que fazer com aquela massa em fios, utilizada pelos italianos como prato único. Além de integrar a sopa, o macarrão virou complemento para o feijão e o arroz.

A história de como os fabricantes do produto uniram esforços para mudar a imagem do macarrão é longa, fica para outra. Mas resta dizer que hoje o Brasil é o terceiro maior mercado consumidor de massas. Só perde para Itália e Estados Unidos.

Fontes: “Viagem Gastronômica Através do Brasil” (Caloca Fernandes), “História da Alimentação no Brasil” (Câmara Cascudo) e “A História do Macarrão no Brasil” (Abima). Foto: spaghettini com tomate fresco, azeitona e alho (site da Barilla, com receita).

 

Jornalista

Jornalista paraibano radicado em Brasília. Há 30 anos, trabalha com jornalismo cultural e, mais recentemente, com os assuntos de gastronomia. Passou pelas redações do Jornal de Brasília, Correio Braziliense, Jornal da Paraíba, Veja Brasília e site Metrópoles. É autor do livro O Fole Roncou, finalista do Prêmio Jabuti em 2013. Atualmente, também é editor do Boníssimo (link para bonissimo.blog), blog que aborda assuntos de cultura, diversão e ações positivas. Está no Gastronomix desde sua criação em 2009.

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