Verdades e mitos sobre a cachaça, patrimônio nacional

Cachaça Foto Reprodução

Hoje em dia, a cachaça – tanto quanto o vinho – tem a atenção de muitos profissionais dedicados a desvendar seus sabores. Então, pense duas vezes antes de chamar alguém de cachaceiro. O que antes era depreciativo pode dar a entender que o “insultado” é, na verdade, um expert na bebida.

Mas foram necessários quase 500 anos de história até ela ser reconhecida como bebida de classe. Nesse tempo, ganhou diversos nomes — marvada, pinga, mé, branquinha… E à medida que os produtores foram refinando seus processos de fabrico, ela foi ganhando adeptos.

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Adeptos entre paladares mais apurados e homens de letras. E aí a cachaça virou, então, assunto de um monte de livros — é bem verdade que Câmara Cascudo (1898-1986) se antecipou a tudo isso quando escreveu O Prelúdio da Cachaça, em 1967.

Um dos livros mais recentes é Os Segredos da Cachaça (Editora Alaúde), de João Almeida e Leandro Dias. São os autores quem tiram algumas dúvidas sobre coisas que dizem a respeito da cachaça. Mito ou verdade? Almeida e Dias esclarecem cinco pontos sobre o assunto:

1.Cachaça deve ser tomada em pequenos goles
VERDADE. Assim como qualquer outro destilado, a cachaça deve ser tomada em pequenos goles e não na forma de shot, ou seja, de uma vez só. “Há um motivo ainda melhor para se tomar bem devagar, já que a bebida pode ser envelhecida em mais de 30 tipos de madeiras, cada uma passando uma complexidade sensorial diferente”, lembram.

2.Cachaça é uma coisa e pinga é outra
MITO. “O nome ‘pinga’ é apenas mais uma denominação entre os milhares devidamente registrados. O consumidor acostumou-se a chamar o que é bom de cachaça e o que é ruim de pinga, o que não é verdade” esclarece a dupla. Eles contam que o termo pinga surgiu do processo de produção, mais precisamente no momento da destilação, quando o vapor se transforma em líquido e começa a “pingar” no alambique, ou seja, começa a destilar a bebida.

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3.”Tomei uma cachaça feita em outro país”
MITO. “Você pode ter tomado uma boa aguardente, porque a cana-de-açúcar se adapta muito bem em vários países de clima tropical, tornando sua produção em outros países viável, bastando para isso dominar as técnicas de fermentação e destilação. Se sua intenção é apreciar nossa boa cachaça, rejeite imitações, pois ela é uma denominação brasileira”. E não repita mais esse disparate.

4. Deve ser tomada em copo de vidro
VERDADE. O primeiro aspecto que se deve observar na degustação é o visual. A bebida precisa ter limpidez, transparência, cristalinidade, e essas características só podem ser vistas através do vidro transparente. Nesse caso, os autores de Os Segredos da Cachaça, recomendam a taça padrão ISSO, vendida em qualquer loja especializada do ramo, o que vai melhorar muito a experiência sensorial.

5.Cachaça boa é a mais cara
MITO. “É claro que uma aguardente bem produzida – e feita com zelo –, aquela que agrega a história de um alambique e tem uma proposta de marketing diferenciada, com um bom rótulo e uma boa garrafa, terá a tendência de custar mais caro. Mas há muitas opções no mercado com valores mais em conta, que cabem em todos os bolsos. Nesse caso, saber identificar uma boa  faz toda diferença”.

Jornalista

Jornalista paraibano radicado em Brasília. Há 30 anos, trabalha com jornalismo cultural e, mais recentemente, com os assuntos de gastronomia. Passou pelas redações do Jornal de Brasília, Correio Braziliense, Jornal da Paraíba, Veja Brasília e site Metrópoles. É autor do livro O Fole Roncou, finalista do Prêmio Jabuti em 2013. Atualmente, também é editor do Boníssimo (link para bonissimo.blog), blog que aborda assuntos de cultura, diversão e ações positivas. Está no Gastronomix desde sua criação em 2009.

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