Belo passeio por 17 lugares em Lisboa

Cristiana Beltrão

Foi um breve feriado em Lisboa com milhas e filhos, sem disposição alguma por buscar novidades (exceto as esbarradas), refeições de muitos pratos ou qualquer coisa que tirasse meu foco da coisa linda que é simplesmente estar com eles. Revendo o que já conhecia, tive algumas preciosas alegrias, dignas de nota:

O café do dia no V-60 da Copenhagen Coffee Lab continua pontapé inicial obrigatório (eles ficam com as viennoiseries, eu com umas dentadas furtivas sem culpa). Fazer nada na Praça das Flores está no pacote.

No quesito descobertas, ficamos com o Tapisco (foto acima), de Henrique Sá Pessoa, com pequenos pratos, copos e tal, no Príncipe Real, meu bairro favorito. Viva o choco frito, com maionese de coentros e lima (alegria das crianças), o polvo saboroso e as amêijoas à Bulhão Pato, muito frescas.

O sorvete de pêssegos do Algarve da Mú Gelateria (sinto muito aos que viajam agora — já vai estar fora da época em breve), foi certeiro nos momentos de sol a pino. Novidade importante, um cantinho francês em Lisboa de coisas para comer pelas ruas, é a Baguetts & Cornets, com pâtisserie e sorvetes imensos, de matar.

Voltei à Pasteleria Alcoa (foto acima), das melhores que conheço para doces conventuais portugueses, e conheci o pudim São Bernardo. É bom, cheio de muitas gordas gemas, mas ainda prefiro pecar com os pastéis de nata ou um docinho em forma de coração (que ganhou o meu), chamado castanhas de ovos.

No hotel Fortaleza do Guincho, que tem ambiente (muito) e serviço (um tanto) fora de moda, sempre me encanto com a cozinha e com a carta, excelentes. Tombei pelos carabineiros e pelos micropepinos em flor que acompanhavam o mexilhão. Delicadíssimos.

Nunca fui ao By the Wine (foto acima) com a comida em foco. Adoro os vinhos e em geral me bastam. Se da última visita me encantei pela conserva de perdiz de José Júlio Vintém, desta vez adorei o chuletón para dois, e não sou lá muito carnívora. Mas o que mais gosto, mesmo-mesmo-mesmo, é poder beber a copo um Alambre Moscatel 20 anos.

No Sea Me, que muitos exaltam pelos sushis cheios de cream cheese e outras heresias, sempre gostei do salão animado, ostras, vinhos, peixes e serviço atento e rápido. Provamos um excelente rodovalho inteiro, na brasa, com um Vale da Poupa, branco do Douro.

No Café Lisboa, continuo encantada com as empadas. Já adorava a portuguesinha, recheada com as carnes, enchidos e a couve do cozido e agora virei fã da de perdiz com arroz de grelos (que são rebentos, talos, seus cabeça-suja).

No Bairro do Avillez (foto acima) não dei sorte com o lingueirão (cheio de areia) que, sabemos, acontece… mas o que importa é que a equipe contornou com elegância e atenção. Palmas para a açorda de camarão com gema de ovo. Excelente.

A ganache de chocolate amargo com vinho Madeira 5 anos da Chocolateria Equador foi golpe baixo. Atingiu-me bem nos quadris e lá ficará, que eu sei.

Provei vários pratos na Cevicheria (quarta visita), mas o ceviche puro continua como preferido na simplicidade fresca.

Também no peito, barriga, coxas e o diabo, ficará o bolo de chocolate da Landeau (terceira visita com penitência, de joelhos) que sempre tira do sério uma pessoa que não é muito fã de chocolates, mas acha que sim, quando lá está.

Gin Lovers, claro e sempre, porque com ritual não se brinca. Disse “Rodem vocês pelas lojas! Vão! Consumam!” que tinha assuntos a tratar ali. Nada consumistas, como a mãe (afora comida e vinhos), voltaram de saco cheio e eu já de copo vazio.

E, obviamente, entre um Granit Soalheiro e outro, o adorável Quinta das Bágeiras Garrafeira 2012, e o Nossa Calcário da querida Filipa, não consegui passar sem um bando de vinhos da Niepoort. Foi Coche 2015, Charme 2014 e Batuta, este último com safra 2001, de chorar.

Engordei a mala de presentes n‘A Vida Portuguesa, Loja das Conservas e na recém-aberta e descoberta d‘Olival, com azeites ímpares de pequenos produtores de Trás-os-Montes.

No mais, a alegria das feiras e praças lindas, da gente adorável e o alívio de passear pelas ruas sem medo.

CRISTIANA BELTRÃO é empresária e restaurantrice. Responde pelo Grupo Bazzar Alimentos,  restaurante Bazzar e Bazzar Lado B. Também escreve o blog crisbeltrao.blogspot.com com excelentes dicas de onde comer no Brasil e no mundo. 

Editores, colaboradores e convidados do portal Gastronomix.

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