Shake, o speakeasy do Centro

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De onde menos se espera, daí é que não sai nada. A máxima do jornalista e humorista Apparício Torelly, o Barão de Itararé, continua válida até hoje. Mas há exceções, caro leitor. E uma delas é o escondido bar Shake Speakeasy.

O Shake fica na sobreloja do Terminal Menezes Cortes, um monstrengo misto de rodoviária, shopping e edifício-garagem plantado no meio do Centro do Rio. Trata-se de lugar improvável para um dos bares mais sofisticados em termos de carta de drinques da cidade.

Em meio a depósitos e oficinas de ajuste de roupas e num corredor com as mais desagradáveis luzes brancas do Rio, o Shake parece um oásis. Iluminação amarela indireta, cortinas pesadas e sofás confortáveis são as principais características que chamam a atenção do cliente noviço.

Já levei alguns amigos lá, e a reação de todos é sempre de surpresa. “Como assim? O bar bacana de que você falou fica aqui?”

Fica, sim. E aproveita-se do clima de animação promovido pelo vizinho mais velho, o Curto Café, que atrai multidões de jovens para aquele corredor inóspito. Às sextas, a sobreloja do Menezes Cortes se transforma numa espécie de filial do Baixo Gávea, atraindo tribos variadas para o local. É uma espécie de Baixo Centro, leitor.

Como já não faço parte da faixa etária do pessoal dali, busco refúgio no Shake. E nunca me arrependi. O bar possui uma carta de drinques variada, sofisticada e surpreendente, com interpretações autóctones de clássicos da coquetelaria e criações próprias.

A mágica é feita belo bartender (agora se diz mixologista…) Walter Garin, com um approach todo pessoal para as combinações de bebidas. O Old Fashioned da casa mistura Wild Turkey, cachaça Magnífica infusionada com bacon, açúcar e Angostura bitters. É delicioso, posso garantir. Na minha última visita, o drinque da semana chamava-se Carvoeira Martini e era feito de Magnífica envelhecida, cacau, Amaretto e chope Lohn Carvoeira.

Mas o destaque principal para mim é outra de minhas fixações recentes: o Boulevardier. Pouco conhecido por aqui, o drinque é uma versão do clássico Negroni para aqueles que gostam de bourbon. Ao substituir o gim pela bebida americana, surge um trago mais doce e um pouco menos medicinal do que o original. E o vermute da casa ainda vem mesclado a nibs de cacau!

Como já falei aqui, a cena gastronômica do Centro do Rio é muito conservadora. E novidades da qualidade do Shake (gerenciado pelo simpático e eficiente Leonardo) são muito bem-vindas, especialmente para aqueles que buscam uma pegada mais sofisticada na coquetelaria dos lugares que frequentar. Longa vida ao Shake Speakeasy!

AVALIAÇÃO
Comida: Pede-se pizza do café ao lado
Ambiente: 8/10 (o bar; a galeria, definitivamente não)
Serviço: 8/10
Carta de vinhos: É um lugar de drinques
Preços: Médios

Dica extra: O melhor bar do mundo para se tomar um drinque, na minha modesta opinião, é o Dukes, localizado no hotel de mesmo nome, em Mayfair, Londres. Era frequentado por ninguém menos do que Ian Flemming, criador de James Bond e (como seu personagem e alter ego) grande apreciador de coquetéis. No Dukes, o bartender Alessandro Palazzi produz Martinis impecáveis, num ambiente sofisticado e clássico. Se quiser conhecer o Dukes, clique aqui e assista um delicioso vídeo sobre um dos coquetéis-assinatura da casa.

SHAKE SPEAKEASY
Rua São José 35, mezanino 230/231
Centro – Rio de Janeiro

Editores, colaboradores e convidados do portal Gastronomix.

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