Onde andava a quinoa antes de virar “arroz” de festa

Quinoa

Há 10 anos, ou talvez até menos, pouca gente sabia o que era quinoa. No entanto, com a crescente procura por alimentação saudável, esse grão foi ganhando fama e hoje substitui até o tradicionalíssimo arroz.

Mas esse pseudo-cereal (é semente, e não um grão como dizem) tem muita história a ser contada. Nativo da cordilheira dos Andes, acredita-se que começou a ser domesticado por povos do Peru, Bolívia, Equador e Colômbia há cerca de 3 mil anos.

Domesticado quer dizer: deixou de ser uma planta que brotava livremente como mato para ser cultivada. E, por consequência, assimilada regularmente na alimentação.

Mas aí vieram os espanhóis destruindo tudo e tiraram de cena a quinoa e outros alimentos nativos daqui da América. O trigo e a cevada, que já eram consumidos amplamente na Europa, passaram a ser também no continente americano a bola da vez.

A quinoa, porém, resistiu escondidinha pelos cantos da cordilheira e, mais tarde, voltou a ser cultivada por fazendeiros do Peru. Até que, nos anos 1970, dois exploradores americanos a descobriram e ficaram maravilhados com sua história.

Esses dois forasteiros, então, levaram a quinoa para a América e, com a onda do alimento funcional, ela bombou. Especialmente pelas muitas propriedades que lhe atribuem.

Dizem que é boa para o fortalecimento e a hipertrofia muscular, para o fortalecimento dos ossos, combate a anemia, alivia sintomas da TPM, melhora a memória… E deve ser tudo isso mesmo, porque até a Nasa acabou por inclui-la na lista de alimentos essenciais na dieta dos astronautas que permanecem por muito tempo no espaço.

E o resto da história é o que todo mundo sabe. A quinoa hoje está não somente nos bufês naturebas, mas também nos menus de restaurantes chiques. O prato da foto no alto, por exemplo, é o filé de cordeiro salteado, quinoa cremosa, molho de vinho tinto e ervas, criação do chef Marco Espinoza do Taypá, restaurante peruano de Brasília.

Jornalista

Jornalista paraibano radicado em Brasília. Há 30 anos, trabalha com jornalismo cultural e, mais recentemente, com os assuntos de gastronomia. Passou pelas redações do Jornal de Brasília, Correio Braziliense, Jornal da Paraíba, Veja Brasília e site Metrópoles. É autor do livro O Fole Roncou, finalista do Prêmio Jabuti em 2013. Atualmente, também é editor do Boníssimo (link para bonissimo.blog), blog que aborda assuntos de cultura, diversão e ações positivas. Está no Gastronomix desde sua criação em 2009.

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