Garota da Urca, um recanto com bela vista

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Na melhor tradição carioca, quase todo morador do Rio tem o seu botequim do coração, aquele no qual se sente em casa. Na coluna passada, contei para vocês de minha relação com o Jobi, um segundo lar para mim há mais de 30 anos e um dos bares mais famosos da cidade. Desta vez, gostaria de falar de um lugar menos badalado, que não aparece em notas de coluna de jornal, mas com quase tanta importância na minha história etílico-boêmia-gastronômica.

Refiro-me ao Garota da Urca, um discreto bar fundado em 1982 num dos meu bairros preferidos da cidade. Para quem não conhece, a Urca fica numa das pontas da Enseada de Botafogo, espremida entre o mar e o morro do Pão de Açúcar, e, por não ser passagem para nada, guarda uma certa cara de cidade do interior, característica cada vez mais rara neste conturbado Rio de Janeiro.

Muitos leitores já estarão se perguntando por que não falo aqui do tradicional Bar Urca, com a sua animada mureta de frente para uma incrível vista para a baía. Adoro o Bar Urca, mas meu coração, por razões que a própria razão desconhece, bate pelo seu concorrente menos conhecido.

Na verdade, o Garota é o símbolo de minha redescoberta do Rio, em meados dos anos 90, no retorno de uma temporada de quatro anos em São Paulo. Estava encantado com a volta à minha cidade e celebrava aquele momento com diversas rodadas de chope nas madrugadas pós-fechamento do jornal (na época, eu era editor-assistente de Economia do Globo).

Isso porque o grande ativo do Garota é a sua deliciosa varanda, com vista para uma pequena praia da Enseada de Botafogo e para o prédio do antigo Cassino da Urca, emoldurada pelo Corcovado ao fundo. Vale a visita, prezado leitor!

Em contrapartida à vista, não espere muito da cozinha do estabelecimento. O quilométrico cardápio oferece aqueles pratos típicos de restaurante de bairro, sem frescuras ou requintes. Foi no Garota que vi um sujeito numa mesa ao lado pedir uma lasanha à bolonhesa acompanhada de arroz à piamontese, na maior bomba de carboidratos já testemunhada na história dos botequins cariocas.

Há dois destaques do cardápio do Garota. Em primeiro lugar, as pizzas, daquelas tipo de padaria, com massa grossa. O outro é a tradicional picanha, que vem crua para ser assada na mesa num réchaud portátil. Faz uma fumaceira dos diabos, mas é boa demais.

Seja pela picanha ou pela vista, o discreto Garota da Urca merece uma visita!

Avaliação:

Comida: 6/10
Ambiente: 7/10 (a vista merece 10/10!)
Serviço: 8/10
Carta de vinhos: Limitada
Preços: Médios

Dica extra: O Garota da Urca faz parte de uma rede de botecos espalhados pela cidade. Todos se chamam Garota e o nome do bairro. O mais tradicional é o de Ipanema, situado na esquina das ruas Vinícius de Moraes e Prudente de Moraes. Nesse local, ficava o mítico bar Veloso, onde Vinicius e Tom Jobim escreveram a música “Garota de Ipanema”. Clique aqui e veja uma linda versão da canção mais famosa da Bossa Nova nas vozes de Jobim e Frank Sinatra.

GAROTA DA URCA
Avenida João Luíz Alves, 56 – – lojas A e B
Telefones: (21) 2541.8585 e (21) 2125.9990

Editores, colaboradores e convidados do portal Gastronomix.

Um Comentário

  1. Concordo. Por estudar, depois morar, depois trabalhar lá perto sempre fui frequentador. Só acrescento no cardápio o que, na minha opinião, é o melhor prato, o paillard com fettuccini.

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