Caverna: hambúrguer e ambiente rock and roll

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A vida é cheia de fenômenos interessantes, caro leitor. Um deles é a inédita proliferação de hamburguerias pela cidade, disputando com as barbearias (dessas modernas que vendem cerveja e atendem a um público que se supõe hipster) o posto de comércio que mais abre no Rio atualmente. De repente, num lugar em que o hambúrguer mais tradicional era o velho Big Bob de guerra, temos versões do sanduíche para todos os gostos e bolsos em grande parte dos nossos bairros. Com a ressalva de que quantidade infelizmente não significa qualidade.

Aqui vale um parêntesis sobre a minha relação (e a do carioca da minha geração) com o Bob’s, desde muito antes da chegada das concorrentes americanas ao Brasil. Ir às matinês de cinema no Ópera, Roxy e Imperator, nos anos 70, significava necessariamente passar pela lanchonete depois do filme. Minha preferência então era pelo cachorro-quente, mas tudo mudou, na adolescência, com a descoberta da combinação de Big Bob com o milk-shake de Ovomaltine. Confesso que ainda hoje às vezes preciso resistir à tentação de trocar uma comida mais saudável por um almoço meio trash no Bob’s.

Mas, voltando à onda das hamburguerias gourmet, sinto informar que muitas dessas novidades são, francamente, decepcionantes. Carnes bem passadas (O horror, o horror!), pães das mais variadas cores e acompanhamentos escolhidos para chocar abundam e prejudicam, tornando a busca de um bom hambúrguer uma verdadeira odisseia.

Há exceções, felizmente. A Hamburgueria da Alfândega e o Beco do Hambúrguer (situado, por total acaso, no Beco dos Barbeiros) são excelentes opções no Centro do Rio. O Calavera, no Humaitá, e o Hop’n Burguer são outras boas casas do ramo.

Mas a minha preferida é, sem sombra de dúvidas, o Caverna, em Botafogo. Tudo é bom lá: o hambúrguer, os petiscos, os drinques, o ambiente e, acima de tudo, a música. É bar para quem gosta de Rock’n Roll. E alto.

O hambúrguer da casa muda toda semana no Caverna e vem sempre no ponto correto, mal-passado. O do dia em que esta coluna foi escrita era feito com o mix de carnes da casa, queijo gouda, maionese de bacon, abacaxi caramelado, chips de rúcula e pão de abóbora. A versão vegana era um burguer de falafel, com maionese vegan de misô com gergelim, berinjela frita no teriaky e pão de cebola e ervas.

O Caverna tem, enfim, todas as qualidades que tocam o coração desse velho roqueiro apaixonado pela boa comida.

AVALIAÇÃO
Comida: 8/10
Ambiente: 9/10
Serviço: 7/10
Carta de vinhos: Vá de drinques ou de cerveja.
Preços: Médios

Dica extra: O Caverna fica situado numa rua tranquila de Botafogo, bairro de grande importância para a boêmia carioca nos anos 80. Bares e restaurantes como Cantina Bolonhesa, Razão Social, Madrugada, Cochrane’s e Overnight ficaram na história. Hoje Teto Solar, Comuna, Cabidinho, Hocus Pocus DNA, La Villa, Bukowski e o Cru Natural Wine Bar são lindas opções nas imediações do Caverna.

CAVERNA
Rua Assis Bueno, 26
Botafogo, Rio de Janeiro
Telefone: (21) 3507-5600

Editores, colaboradores e convidados do portal Gastronomix.

2 Comentários

  1. Viagem gastronômica virtual Pelo Rio de Janeiro, em capítulos. Estou adorando acompanhar.

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