Bricilet, o biscoitinho das freiras de Olinda

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Tem aquela história: quando alguém quer insinuar que uma comida é muito rara, uma iguaria, brinca dizendo que ela foi feita por freiras descalças e cegas de um mosteiro lá não sei de onde. A brincadeira tem razão de ser. Dos conventos, já saíram muitas delícias, isso porque as freiras habitualmente tinham (e algumas ainda têm) uma rotina dividida entre a oração e a produção de comidas que elas vendiam para manter a sua instituição.

O melhor exemplo são os doces conventuais portugueses, um verdadeiro tesouro cultural e culinário daquele país. É uma extensa lista de receitas. A maioria com açúcar e gema, mas quem pensa em colesterol ou glicose diante daquelas delícias?

Cada região tem os seus. Barrigas-de-Freira e fidalguinhos do Minho, pescoços de freira e amarantinos do litoral do Douro, pitos de Santa Luzia e toucinho do céu, de Trás-os-Montes e Alto Douro, fatias reais do Alentejo

Certamente, se formos pesquisar, haveremos de encontrar em países dos cinco continentes comidinhas tradicionais saídas de algum convento ou mosteiro. O bricelet é um desses casos. Trata-se de um um delicado biscoitinho, fino como uma hóstia, que é tradição entre as monjas beneditinas. Ele é produzido em mosteiros dessa irmandade em várias partes do mundo, seguindo uma receita que tem sido copiada mas nunca igualada.

No Brasil, mais precisamente em Olinda (PE), há mais de 50 anos as freiras do Mosteiro Nossa Senhora do Monte vendem o bricelet na lojinha da instituição, junto com licores e outros quitutes produzidos por ela.

Embora o biscoito também possa ser encontrado em outros mosteiros, como o de Nossa Senhora da Glória, em Uberaba (MG), em Pernambuco ele virou uma tradição local. É usado, inclusive, em sobremesas servidas em vários restaurantes de Recife.

Em Brasília, a “sobremesa das freiras” chegou por estes dias, no cardápio do Tio Armênio. Ela é feita com uma camada de sorvete de creme, um bricelet, outra camada de sorvete, outro biscoitinho, e calda de chocolate por cima. Dos deuses…

Jornalista

Jornalista paraibano radicado em Brasília. Há 30 anos, trabalha com jornalismo cultural e, mais recentemente, com os assuntos de gastronomia. Passou pelas redações do Jornal de Brasília, Correio Braziliense, Jornal da Paraíba, Veja Brasília e site Metrópoles. É autor do livro O Fole Roncou, finalista do Prêmio Jabuti em 2013. Atualmente, também é editor do Boníssimo (link para bonissimo.blog), blog que aborda assuntos de cultura, diversão e ações positivas. Está no Gastronomix desde sua criação em 2009.

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