Branco ficou com a farinha de mandioca

mandioca

A mandioca é mais que um ingrediente na culinária brasileira, é um elemento cultural. Uma das mais fortes heranças que recebemos dos índios. A farinha que se faz dela, então, nem se fala. Durante o Brasil Colônia, farinha de mandioca era comida de escravos. Os brancos, porém, descobriram que podiam usá-la para conservar alimentos, daí a incluíram no farnel dos viajantes, misturando-a a outros alimentos. Não demorou para a farinha chegar também às mesas do senhorio.

Hoje não dá para imaginar a gastronomia brasileira sem a farinha. Grossa, fina, amarela, d’água, de puba… Seu consumo resiste à modernização de costumes gastronômicos. É produzida e consumida, pura ou na farofa, em quase todo o país.

Por isso mesmo, continua a ser produzida em larga escala, ainda que suas origens estejam ligadas a uma agricultura de subsistência. Mas, o curioso, é que ainda é fabricada, em grande parte, pelos mesmos métodos utilizados pelos índios.

E isso implica envolvimento de muita gente, criando todo um processo de socialização. A raspagem das raízes, por exemplo, exige a participação de um grande número de pessoas. Vira, então, reunião de amigos.

Depois de descascada, a mandioca é triturada ou ralada, prensada, espremida para tirar a manipueira (como é chamado o líquido venenoso da raiz), enxugada, peneirada e torrada. Como se vê, dá um trabalho danado.

Embora existam casas de farinha no Brasil inteiro, a produção sobressai no Norte e no Nordeste. No Recôncavo Baiano, por exemplo, o produto até deu nome a uma cidade, Nazaré das Farinhas.

BENEFÍCIOS DA FARINHA DE MANDIOCA
Por ser um alimento pouco processado, a farinha de mandioca simples é uma boa opção para reduzir o consumo de alimentos industrializados e traz benefícios como:

– Dar energia, por ser rica em carboidratos;
– Prevenir cãibras e favorecer a contração muscular, por ser rica em potássio;
– Ajudar a prevenir anemia, por conter ferro;
– Ajudar a relaxar e controlar a pressão arterial, devido ao seu teor de magnésio

No entanto, é importante lembrar que esses benefícios são obtidos com o consumo de farinha de mandioca simples ou na forma de farofa caseira, feita com pouca gordura. A farofa industrializada não é recomendada, pois estas contêm muito sal e gorduras ruins adicionadas.

Fotos: do alto,  www.palmares.gov.br; do meio, Freepik; de baixo, Pixabay

 

Jornalista

Jornalista paraibano radicado em Brasília. Há 30 anos, trabalha com jornalismo cultural e, mais recentemente, com os assuntos de gastronomia. Passou pelas redações do Jornal de Brasília, Correio Braziliense, Jornal da Paraíba, Veja Brasília e site Metrópoles. É autor do livro O Fole Roncou, finalista do Prêmio Jabuti em 2013. Atualmente, também é editor do Boníssimo (link para bonissimo.blog), blog que aborda assuntos de cultura, diversão e ações positivas. Está no Gastronomix desde sua criação em 2009.

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