Baalbek: esfirras perfeitas na galeria escondida

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Há no bairro de Copacabana uma galeria mágica. Aparentemente, ela serve apenas para ligar a rua Barata Ribeiro à avenida Nossa Senhora de Copacabana. Mas, na verdade, existe ali uma passagem ao passado, um caminho de volta a algumas das lembranças mais preciosas que trago dentro de mim.

Ao cruzar aquela galeria, entro em um vórtice que me transporta a momentos perdidos nos anos 70, uma espécie de Aleph de Copacabana. Sou novamente aquela criança cheia de possibilidades e dúvidas. E volto a sentir a mesma emoção que me atravessava tantas décadas atrás.

Trata-se da Galeria Menescal, uma pérola que mistura os estilos eclético e art déco desde 1942 no coração de Copacabana. E o motivo de minha emoção é um pequeno restaurante que ali resiste e serve, pelo menos para mim, a melhor esfiha do mundo.

Com alguma razão, o leitor talvez se pergunte: “Mas é só isso? A galeria é mágica apenas por causa de um salgadinho árabe?” E a resposta é um enfático e emocionado sim! No Baalbek, servem-se desde 1959 esfihas perfeitas, cheias de um abundante recheio de carne, úmido e fumegante.

Frequento o Baalbek desde que me entendo por gente. Na verdade, já o fazia mesmo antes de nascer: minha mãe sempre passava por lá quando ia ao médico durante a gravidez. Sou, poderia se dizer, um freguês de raiz da casa.

E qual seria o segredo do Baalbek? Na Argentina, diz-se que a boa empanada “chorrea”, quer dizer, solta um líquido quente e saboroso ao ser mordida. E as esfihas de lá “chorrean”, principalmente quando acabam de sair do forno. Se você tiver pinta de neófito no Baalbek, pode ter certeza de que o atendente irá alertá-lo para o risco de se queimar ao morder a esfiha.

Descrentes chegarão a afirmar que as servidas em outra famosa galeria, no Largo do Machado, são melhores. Mas não acredite. As esfihas do Baalbek deveriam ser tombadas para que futuras gerações possam igualmente desfrutar desse prazer.

Sinto apenas que os donos da casa tenham decidido, em algum momento, reformá-la e tirar das paredes as lindas pinturas com paisagens árabes e da vida no deserto que tanto me encantavam quando era criança. Tudo foi substituído por horríveis azulejos, dando à loja um certo aspecto de banheiro de motel. Infelizmente,na vida, nada é perfeito.

AVALIAÇÃO
Comida: 8/10
Ambiente: 5/10 (pela loja. A galeria é linda!)
Serviço: 7/10
Carta de vinhos: Siga o exemplo dos locais e peça um mate gelado.
Preços: Baratos

Dica extra: Um frequentador famoso do Baalbek é ninguém menos do que o delegado Espinosa, protagonista da deliciosa série de livros do escritor Luiz Alfredo Garcia-Roza. Como bom solteiro, Espinosa passa com frequência no restaurante para se abastecer antes de voltar para casa, no Bairro Peixoto. Um detalhe: o delegado ainda não descobriu as esfihas do Baalbek e prefere comprar quibes, que também são excelentes, mas não chegam aos pés da nossa iguaria! Clique aqui e conheça, numa matéria do Estadão, um pouco da rotina de Espinosa pelo bairro de Copacabana e adjacências.

BAALBEK
Avenida Nossa Senhora de Copacabana 64
Copacabana – Rio de Janeiro
Telefone: (21) 2255-4574

Editores, colaboradores e convidados do portal Gastronomix.

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